Afinal, o que é "coração grande"?
- Carolina Aquino L. Gomes
- 17 de jul. de 2024
- 3 min de leitura

Todo profissional da saúde já ouviu em algum momento um paciente falando que tem "coração grande" ou "meu coração é fraco". Mas, afinal, o que seria ter o coração grande?
Importante lembrar que as informações contidas neste blog são para orientação em saúde da população leiga, sempre com a proposta de leitura simples e explicativa. Não substitui o atendimento médico. Portanto, mediante qualquer sintoma ou sinal, procurar emergência ou sua (o) médica (o).
Quando dizemos que uma pessoa está com o coração aumentado de tamanho estamos falando sobre cardiomegalia, diversas causas podem levar a esse aumento, seja por dilatação ou por hipertrofia do coração. Doenças como hipertensão arterial sistêmica, doenças valvares, doença de Chagas, sequelas por infarto agudo do miocárdio, doença pulmonar obstrutiva crônica, entre outras, podem levar a esse quadro.
Em geral os sintomas da cardiomegalia são os mesmos da insuficiência cardíaca, porém nem todo mundo que tem insuficiência cardíaca tem o aumento da área do coração.
Então, vamos falar sobre Insuficiência Cardíaca (abreviada comumente como IC), que é uma doença que acomete cerca de 23 milhões de pessoas em todo o mundo e entre 2019 e 2023 foi responsável por 941.560 internações somente no Brasil (1).
A IC, como o nome já sugere, se refere a um coração insuficiente, ou seja, que não consegue exercer adequadamente sua função como bombeador de sangue (pensem que o coração é uma bomba hidráulica), dessa forma ocorrem sintomas relacionados à congestão (acúmulo de líquidos): falta de ar, cansaço, pernas e pés edemaciados (inchados), ascite, bolsa escrotal edemaciada, perda de apetite, dificuldade ou impossibilidade de dormir deitado, tosse com secreção espumosa, entre outros.
A insuficiência cardíaca pode ser classificada de 03 formas:
com fração de ejeção reduzida, que é aquela em que o coração já não consegue bombear o volume de sangue dentro da normalidade, normalmente são pacientes com mais sintomas, mais quadros de dispneia, de dificuldade de realizar as atividades diárias, e muitos possuem cardiomegalia;
fração de ejeção preservada, que é quando a porcentagem de sangue bombeada a cada batimento ainda está dentro dos valores de normalidade, mas a musculatura cardíaca já não tem mais a mesma capacidade e, caso não seja tratado adequadamente, isso agravará os sintomas, até ter a fração de ejeção reduzida de fato. Nessa fase, muitos pacientes ainda não são diagnosticados, seja por não possuírem sintomas expressivos a ponto de buscar atendimento médico, ou por não realizarem os exames pertinentes;
fração de ejeção limítrofe, ou seja, no limite para se tornar fração de ejeção reduzida.
As causas para insuficiência cardíaca são diversas, existindo algumas muito comuns no nosso dia-a-dia, seja por um familiar ou amigo acometido, como a hipertensão arterial sistêmica, doença arterial coronariana e a sequela de infarto agudo do miocárdio. Diabetes mellitus, miocardites, distúrbios genéticos, hipertensão pulmonar, doenças valvares, anemia e muitas outras, inclusive doença de Chagas, também podem ser causadoras.
O diagnóstico da IC deve ser feito por um profissional médico e o paciente deve ser encaminhado para a cardiologia. Quanto mais precoce for o reconhecimento da doença, mais chances de tratamento e melhora de sintomas, bem como de não progredir com a piora da função cardíaca. Lembrando que não basta diagnosticar apenas a insuficiência, também temos que diagnosticar e tratar sua causa, ou seja, a etiologia. Por exemplo: IC decorrente de doença arterial coronariana necessitando de desobstrução de artérias coronárias por cateterismo com colocação de stent.
Hoje no serviço público de saúde, através de LME (laudo para solicitação, avaliação e autorização de medicações de alto custo), medicações importantíssimas para o tratamento são fornecidas de maneira gratuita, mediante preenchimento dos pré-requisitos.
Portanto, se você conhece alguém, ou se está com algum dos sintomas descritos, procure atendimento médico o mais rápido possível. Caso tenha alguma patologia, faça acompanhamento regular com sua médica ou médico, para sempre diagnosticar precocemente qualquer alteração e assim viver melhor.
Fonte: Leal Soares F, Bandeira Junqueira M, Gonçalves da Silva D, Rasnhe Ferreira Sampaio K, Mendonça Raphael Braz JP, Rocha Pinon Teixeira de Araújo G, Cirino Pereira L, de Lima Carvalho Santiago Silveira AB, Eduardo Araújo da Silva C, Andrade Alves J, Francisco de Paiva Neto M, Santos de Souza U. Perfil epidemiológico das internações por Insuficiência Cardíaca no Brasil entre 2019 e 2023. Braz. J. Implantol. Health Sci. [Internet]. 9º de abril de 2024 [citado 17º de julho de 2024];6(4):887-96. Disponível em: https://bjihs.emnuvens.com.br/bjihs/article/view/1879
Imagem obtida no google.
Comments